Quando se fala no termo cidadania, o que nos vem à mente é, na maioria das vezes, o exercício pleno dos direitos que nos é assegurado pelo estado democrático de direito. Pouco se comenta, no entanto, sobre as obrigações do cidadão, tanto as de aspecto legal quanto principalmente as de aspecto moral.
O conceito de cidadania pressupõe não apenas o acesso ao conjunto fundamental de direitos, mas também o seu exercício em função do bem comum, ou seja, em função da construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Um dos pontos fundamentais para a construção dessa sociedade são as ações educativas – não somente no âmbito escolar, mas também no familiar e comunitário – para a formação de uma juventude consciente do seu papel de protagonista na sociedade, capaz de enxergar além dos seus próprios problemas e engajado na construção, através do seu trabalho, de uma sociedade mais justa, livre e solidária.
Por ter um histórico recente de juventude ideologicamente alinhada e ativa, representada principalmente pelos movimentos estudantis (como por exemplo, os protestos contra a ditadura, os movimentos pelas diretas já e as passeatas dos caras-pintadas pedindo o impeachment do presidente Fernando Collor), as atuais gerações tendem a ser vistas como alienadas, indiferentes à atual conjuntura política e social. No entanto, o que se percebe é que as formas de mobilização e comunhão de informações são outras: com a massificação das redes sociais e amplo acesso à internet, os movimentos juvenis tem se expressado através do cyberespaço.
Com essa grande abrangência, as questões sociais e políticas têm sido colocadas em pauta de um modo mais globalizado.
Com essa grande abrangência, as questões sociais e políticas têm sido colocadas em pauta de um modo mais globalizado.
Como exemplo, podem-se citar o site Wikileaks, que ganhou notoriedade após divulgar documentos secretos de alguns governos, expondo o modo antiético como algumas decisões que tem impacto direto sobre as políticas sociais e econômicas internacionais são tomadas, o grupo Anomynous de ações anárquicas conjuntas na internet e o movimento Ocupe Wall Street, uma série de manifestações pró-reforma tributária e econômica realizada em New York, organizada em sua grande maioria através de fóruns em redes sociais. O protagonismo juvenil, no entanto, é algo a ser exercido e consolidado através de manifestações mais eficientes e eficazes, a serem realizadas no dia-a-dia, coerente com a realidade vivenciada pelo jovem.
Cabe, neste momento, o seguinte questionamento:
- De que forma você está exercendo o seu papel de protagonista social?
- Você já parou para refletir sobre os principais problemas sociais da sua cidade e quais as suas possíveis soluções?
- O que você pode fazer, de fato, para contribuir na solução desses problemas?
- De que forma você está se preparando para assumir as suas responsabilidades como cidadão e como profissional?
Por Gabriel Neto

